sábado, 5 de janeiro de 2013

Terror na Farmácia


Thais esperava uma oportunidade dessas há um tempo. Já tinha desistido de ir sozinha ou perto de sua casa, mas resolveu que iria aproveitar a estadia na casa da amiga Fabiana para irem juntas colocarem um piercing.
Já haviam rodado a cidade inteira atrás de um lugar aberto em plena tarde de domingo. Afinal, era fim de ano, quem não iria trabalhar em sua loja de Tatoo´s nesse dia? Fabiana queria desistir, poderiam fazer isso outro dia, mas Thais, que não queria deixar a oportunidade passar de jeito nenhum, insistiu:
- Vamos continuar procurando! Não volto pra BH sem esse maldito piercing.
Depois de muito procurarem, resolveram que iriam à farmácia da cidade - Fabiana morava numa pequena cidade do interior de Minas Gerais: Nova Lima. Assim que entraram na loja, Thais parou:
-Pensando bem a gente pode deixar para outro dia...
- Não mesmo, protestou Fabiana. Agora vamos furar a orelha!
- Mas, mas...
- Mas, mas o caramba! Vamos logo! E puxou Thais, que estampava o terror no rosto, pra dentro da farmácia.
 Chegaram ao balcão e chamaram à farmacêutica. Fabiana seria a primeira a furar a orelha. Enquanto isso, Thais pensou em sair de fininho, mas foi só pensar nisso que sentiu a mão de Fabiana em seu braço. Ela gritava e gemia, e rangendo os dentes disse:
-Socorro, Thais! Dói demais!
Sem saber o que fazer Thais gritava junto com ela. Quando Fabi terminou, estava rindo bastante. A vitima da brincadeira apenas xingou um “idiota” e se preparou, como pode para o grande furo. Inclinou a cabeça. A farmacêutica já estava prestes a furar quando Thais interrompeu:
-Moça, fura aqui, viu? Aqui ó? Presta atenção, ok?
Preparou-se novamente. Sentia o medo e a emoção do momento. Interrompeu de novo. Fabiana questionou:
-Mas o que foi dessa vez?
- Eu to com medo...
- Ahhhh!
- Moça, de novo... Aqui ó, disse Thais apontando o local da furada.
- Tá bom, tá bom! Se comportar eu te dou um pirulito! Exclamou a farmacêutica.
Então veio a preparação. Fabiana olhava com um sorriso sádico. Thais fechou os olhos e rangeu os dentes. A farmacêutica ergueu os braços, agulha em punho.
Thais então, num golpe como nunca antes se vira, girou e desviou-se da agulha. A farmacêutica espetou o próprio e, enquanto se contorcia de dor, a menina ria de nervosismo.
-Não, você não vai fazer isso comigo!
-É o que veremos... Disse a farmacêutica com ódio vibrando nos olhos.
Iniciou-se uma batalha violenta na pequena farmácia. Thais, sem arma naquele momento, empunhou um pacote de aspirinas que estavam próximos, enquanto a moça da farmácia pegava outra agulha e descartava a usada em si mesma, afinal, não seria higiênico usar a mesma agulha. O embate começou. Enquanto uma defendia com aspirinas, a outra atacava com agulhas. Depois de algumas provocações e duelos, Fabiana, que até então não acreditava no que via, interviu e segurou a amiga.
- Chega! Agora você faz o maldito furo!
A farmacêutica se apressou e num golpe único e singular deu a espetada na garota. Thais começou a gemer e rolar no chão. Depois dessa derrota ímpar, ela se ergueu e agradeceu a moça:
-Obrigada! E agora me dê meu pirulito!
A moça não acreditou. Quase correu pra pegar outra agulha e pra espetar a vida da garota. Mas para terminar o combate, entregou um pirulito pra menina
- Obrigada e volte sempre. Disse contrariada, seguindo as ordens de boa educação que o chefe lhe dera.
Fabiana e Thais saíram enfim da farmácia. A primeira, escondendo a cara de vergonha. A outra estava sorridente. Tinha conseguido o que queria e ainda ganhara um pirulito. Era muita para um só dia. 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Vamos falar de peixes?


Baseado numa história real


As férias estavam ótimas. Aquela família não poderia estar mais feliz, comemorando o aniversário da matriarca. Risonhos e sorridentes esperavam o peixe ficar pronto no restaurante a beira-praia. Foi então que a polêmica começou e claro, tinha que ser o filho mais velho a puxar. Ah, esse embrião de universitário... Porque tinha que colocar esses assuntos polêmicos nessa hora de felicidade?
Aparentemente todos foram na onda dele e entraram na discussão. Mas o pai não. Porque meus filhos tinham que falar sobre isso? Não era possível! Eles deviam falar sobre isso em outra hora, mas agora? Prestes a iniciarem a refeição comemorativa, eles colocam esses assuntos? Não! Não estava, mas deixe-os conversarem... São jovens, estão com a cabeça formando ainda.
O assunto continua. Agora é a vez da filha do meio tomar as rédeas do assunto. Ela... A menina do papai?! Porque ela? Ainda bem que a caçula não o decepci... Mas não é possível? Ela também? Está tudo perdido! E essa esposa também fica atiçando as crianças... Esse caminho não vai dar certo! Será que eles não percebem? Estão perguntando alguma coisa pra ele... Que arapuca! Se ele for contra vão crucificá-lo. Já sei! Balance a cabeça positivamente... Isso... Muito bem!
Cadê o peixe que não fica pronto... Tomara que quando ele chegar o assunto mude. O pai não está mais aguentando tamanhas besteiras...
- Chega! Vamos mudar de assunto. Vamos falar de peixe!
-Tá bom papai... A gente para de conversar sobre namoro! Concordaram os filhos, percebendo que o pai já saia de si.
Ufa! Ainda bem que o peixe chegou!